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SAÚDE

Dia Mundial do Doador de Sangue: Tudo que Você Precisa Saber para se Tornar um Doador Regular

Critérios que permitem ou impedem uma doação de sangue (Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil) A assistente administrativa Larissa Régis, de 24 anos, doou sangue pela primeira vez aos 18 anos, há seis anos. “Eu queria muito ajudar as pessoas e fazer a diferença na vida de alguém. Saber que um simples gesto pode salvar vidas foi um grande motivador para mim”, comentou Larissa. Desde então, ela realiza pelo menos uma doação de sangue anualmente e pretende se tornar uma doadora regular para ajudar a manter os estoques. “Acho importante manter esse compromisso. Ter uma carteirinha de doador me atrai, pois facilita o acompanhamento e reforça minha responsabilidade com a causa”, explicou. Larissa também é voluntária nos Escoteiros do Brasil e tem amigos que também são doadores. “Muitos jovens não sabem que, a partir dos 16 anos, já podem doar. Esse tema precisa ser mais divulgado, especialmente nas escolas e universidades.” O estudante Murilo Verdélio Bortoloso, de 17 anos, se interessou em doar sangue após ver, no ano passado, um post nas redes sociais solicitando doação de sangue do tipo O+. “Sempre quero ajudar quem precisa. Descobri que podia doar a partir dos 16 anos e fui. Gosto de fazer o bem e ajudar as pessoas”, explicou. Por ter um tipo sanguíneo frequentemente solicitado, ele também pensa em se tornar um doador regular. “Seria interessante, pois meu tipo sanguíneo está sempre em falta. Gosto de ajudar e há benefícios em ser doador regular”, destacou Murilo. Algumas regiões, como São Paulo e o Distrito Federal, oferecem vantagens para doadores regulares, incluindo isenção de taxas em concursos públicos. “Na primeira vez que fui doar, chamei amigos, mas ninguém foi por falta de organização e divulgação do tema. Não vi nenhum adolescente, eu era o único”, lembrou. “Meu conselho é: se você pode doar e tem tempo, vá ao hospital e doe. É simples e ainda ganha um lanche de graça – que, por sinal, é muito bom”, brincou. A bombeira militar Fabiana Fontenele, de 39 anos, é doadora regular e doa sangue três vezes ao ano, incentivada pela corporação. Ela já perdeu a conta de quantas vezes foi ao hemocentro para participar de mutirões de doação. “A sensação de ajudar quem realmente precisa é muito boa, e é um ato muito simples. Não há nada, biologicamente, que me impeça de doar”, explicou. “O tema precisa ser mais divulgado. É um ato simples que salva vidas. Meu conselho é: ‘doe sem medo, porque salva vidas’”, concluiu. **Como doar sangue** Existem critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde para garantir a proteção do doador e a segurança do receptor. Para doar sangue, é necessário: – Apresentar um documento oficial com foto (identidade, carteira de trabalho, certificado de reservista, carteira de conselho profissional ou carteira de habilitação); – Estar em boa saúde; – Ter entre 16 e 69 anos (adolescentes de 16 e 17 anos precisam de autorização dos responsáveis); – Pesar mais de 50 kg. Recomendações para o dia da doação: – Não estar em jejum; – Descansar ao menos seis horas na noite anterior; – Não ingerir bebidas alcoólicas nas 12 horas anteriores; – Evitar fumar duas horas antes da doação; – Evitar alimentos gordurosos três horas antes da doação. Pessoas que realizam atividades como pilotar aviões ou helicópteros; dirigir ônibus ou caminhões de grande porte; subir em andaimes; e praticar paraquedismo ou mergulho devem interrompê-las 12 horas antes da doação. **Intervalos mínimos entre doações:** – Homens: 60 dias, até quatro doações por ano; – Mulheres: 90 dias, até três doações por ano. **Cuidados pós-doação:** – Evitar exercícios físicos exagerados por 12 horas; – Aumentar a ingestão de líquidos; – Não fumar por cerca de duas horas; – Evitar bebidas alcoólicas por 12 horas; – Manter o curativo no local da punção por quatro horas. **Condições que impedem a doação de sangue:** – Diagnóstico de hepatite após os 11 anos; – Mulheres grávidas ou amamentando; – Pessoas expostas a doenças transmissíveis pelo sangue, como AIDS, hepatite, sífilis e doença de Chagas; – Usuários de drogas; – Pessoas que tiveram relacionamento sexual com parceiro desconhecido ou eventual, sem uso de preservativo. **Prazos de impedimento para doação de sangue após cirurgias:** – Lesão dentária: 72 horas; – Apendicite, hérnia, amigdalectomia e varizes: três meses; – Colecistectomia, histerectomia, nefrectomia, redução de fraturas, politraumatismos sem sequelas graves, tireoidectomia e colectomia: seis meses. Fonte: Redação ANH/DF

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Exame Simples Pode Diagnosticar Alzheimer com 9 Anos de Antecedência

Ressonância permite visualizar alterações no padrão da conexão entre células e redes cerebrais (foto: CEA/Divulgação) Novo Método Detecta Alzheimer Antes dos Sintomas Pesquisadores da Universidade Queen Mary de Londres desenvolveram um novo método capaz de prever a neuropatologia do Alzheimer com mais de 80% de precisão até nove anos antes do diagnóstico. Utilizando exames de ressonância magnética funcional (fMRI), o teste analisa mudanças na rede de modo padrão do cérebro, que é afetada pela doença. O estudo, publicado na revista Nature Mental Health, analisou dados de mais de 1,1 mil voluntários do UK Biobank. Os resultados mostraram que o modelo previu o início da neurodegeneração com alta precisão, permitindo uma janela de tempo para intervenções precoces. Além disso, o estudo revelou associações entre alterações na rede cerebral e fatores de risco genético e ambiental para o Alzheimer. Os pesquisadores acreditam que o método pode ser aplicado em larga escala para identificar indivíduos em risco e desenvolver tratamentos preventivos. Enquanto isso, um estudo realizado nos EUA sugere que a prática de atividade física vigorosa pode reduzir o risco de comprometimento cognitivo em pessoas com pressão arterial elevada. Os resultados, baseados em dados do estudo Sprint, destacam a importância do exercício na preservação da função cognitiva, mas ressaltam a necessidade de mais pesquisas para confirmar esses achados. Essas descobertas representam avanços significativos na compreensão e no diagnóstico precoce do Alzheimer, oferecendo esperança para tratamentos mais eficazes no futuro. Fonte: Redação ANH/DF

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Brasil passa de 4 milhões de casos de dengue; mortes chegam a 1.937

© Marcelo Camargo/Agência Brasil Outros 2.345 óbitos estão sendo investigados   O Brasil passou de 4 milhões de casos de dengue registrados neste ano, conforme atualização do Painel de Monitoramento das Arboviroses do Ministério da Saúde nesta segunda-feira (29). No total, 4.127.571 casos prováveis da doença foram notificados em todo o país nos quatro primeiros meses.  Quanto às mortes por dengue, 1.937 foram confirmadas e 2.345 estão sob investigação. O coeficiente de incidência da doença no país é 2.032,7 casos para cada grupo de 100 mil habitantes. A faixa etária mais afetada é de 20 a 29 anos, que concentra a maior parte dos casos. Já a faixa etária menos atingida é a de crianças menores de 1 ano, seguida por pessoas com 80 anos ou mais e por crianças de 1 a 4 anos. As unidades da Federação com maior incidência da doença são Distrito Federal, Minas Gerais, Paraná, Espírito Santo, Goiás e Santa Catarina. Projeções divulgadas no início do ano apontam que os casos de dengue no país podem chegar a 4.225.885. Combate à dengue O Ministério da Saúde e o governo de Minas Gerais inauguraram nesta segunda-feira (29), em Belo Horizonte, a Biofábrica Wolbachia. A unidade, administrada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), vai permitir ao Brasil ampliar sua capacidade de produção de uma das principais tecnologias no combate à dengue e outras arboviroses. A Wolbachia é uma bactéria presente em cerca de 60% dos insetos na natureza, mas ausente naturalmente no Aedes aegypti. O chamado método Wolbachia consiste em inserir a bactéria em ovos do mosquito em laboratório e criar Aedes aegypti que portam o microrganismo. Infectados pela Wolbachia, eles não são capazes de carregar os vírus que causam dengue, zika, chikungunya ou febre amarela.     Arte/Agência Brasil   Fonte: Agência Brasil

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Fiocruz: internações por gripe e vírus sincicial aumentam no país

© Tomaz Silva/Agência Brasil Casos de covid-19 têm tendência de queda   O Boletim InfoGripe, divulgado nesta semana pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), chama atenção para alta das internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), causadas principalmente pelo vírus sincicial respiratório (VSR) e a influenza A, o vírus da gripe. O boletim aponta ainda para queda dos casos de covid-19, com alguns estados em estabilidade. Nas últimas quatro semanas, do total de casos de síndromes respiratórias, 54,9% foram por vírus sincicial e 20,8% por influenza A. Entre as mortes, os dois vírus são os mais presentes. Conforme o boletim, as mortes associadas ao vírus da gripe estão se aproximando das mortes em função da Covid-19, “por conta da diferença do quadro de diminuição da Covid-19 e aumento de casos de influenza”. Desde o início de 2024, foram registrados 2.322 óbitos por síndrome respiratória grave no país. O coordenador do InfoGripe, Marcelo Gomes, alerta para a importância da vacinação contra a gripe, em andamento no país, como forma de evitar as formas graves da doença. “A vacina da gripe, como a vacina da covid, têm como foco diminuir o risco de agravamento de um resfriado, que pode resultar numa internação e até, eventualmente, uma morte. Ou seja, a vacina é simplesmente fundamental”, alerta, conforme publicação da Fiocruz. De acordo com o levantamento, 20 estados e o Distrito Federal apresentam tendência de aumento de SRAG no longo prazo: Acre, Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Sergipe, São Paulo e Tocantins. Fonte: Agência Brasil

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Número de crianças com síndromes gripais aumentam cerca de 20% dos casos atendidos nas UPAs de Fortaleza

O aumento das síndromes gripais em crianças, com cerca de 20% dos casos em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Fortaleza, é um fenômeno preocupante que merece atenção especial. As crianças são particularmente vulneráveis a infecções respiratórias devido ao seu sistema imunológico em desenvolvimento e à interação frequente em ambientes escolares e sociais. Além disso, os sintomas das doenças respiratórias em crianças podem variar e ser menos específicos, o que pode dificultar o diagnóstico precoce e o tratamento adequado. O aumento desses casos em UPAs sugere uma sobrecarga nos serviços de saúde, o que pode comprometer a capacidade de atendimento a outras emergências e a qualidade do cuidado prestado. Para lidar com essa situação, é fundamental implementar medidas de prevenção, como a vacinação contra influenza e o reforço das práticas de higiene, como lavagem das mãos e uso de máscaras. Além disso, é importante garantir o acesso rápido a serviços de saúde e promover a conscientização sobre a importância de procurar assistência médica ao primeiro sinal de sintomas gripais em crianças. Investir em educação pública sobre saúde e garantir o acesso equitativo a serviços de saúde de qualidade para todas as crianças são passos essenciais para enfrentar esse desafio e proteger a saúde das crianças em comunidades como Fortaleza e em todo o mundo. Fonte: Redação ANH/CE

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Casos de Covid e gripe crescem no Brasil, revela boletim da Fiocruz

As hospitalizações devido a síndromes respiratórias agudas graves (SRAG) relacionadas à covid-19 estão aumentando na região Centro-Sul do Brasil, e em alguns estados, há uma “cocirculação” com o vírus Influenza A, que causa a gripe. O Boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) nesta quinta-feira (29), alerta para a sobreposição das infecções de transmissão respiratória, especialmente em um cenário em que a circulação simultânea dos vírus da covid-19 e da dengue gera dúvidas devido à semelhança entre os sintomas. Marcelo Gomes, pesquisador do Programa de Computação Científica (Procc/Fiocruz) e coordenador do InfoGripe, destaca a preocupação com esse cenário nacional, observando o aumento associado à covid-19 na maior parte do Centro-Sul, com alguns estados do Sudeste e do Sul apresentando cocirculação simultânea de covid-19 e influenza A. Ele salienta que, embora a covid-19 resulte em um número significativamente maior de hospitalizações do que a gripe, a circulação simultânea é evidente, com alguns estados do Nordeste, especialmente a Bahia, também registrando aumento de internações com uma associação sugestiva da gripe. Marcelo Gomes recomenda que aqueles que apresentam sintomas e sinais de infecção respiratória permaneçam em casa e descansem. Se for necessário sair, a orientação é usar uma máscara PFF2 ou N95 para evitar a disseminação do vírus, especialmente ao visitar uma unidade de saúde. O Boletim destaca que a SRAG por covid-19 está em ascensão em diversos estados, enquanto as associações entre a síndrome e influenza A (gripe) são mais prevalentes em alguns estados, incluindo Bahia, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, os vírus respiratórios que mais causaram casos de SRAG foram influenza A (10,3%), vírus sincicial respiratório (10,8%) e Sars-CoV-2/covid-19 (70,6%). Fonte: Redação ANH/RJ

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Brasil ultrapassa meio milhão de casos prováveis de dengue

© nuzeee/Pixabay Foram registradas 75 mortes e 340 estão sendo investigadas   O Brasil já registra 512.353 casos prováveis de dengue desde o início de 2024. Foram contabilizados ainda 75 óbitos pela doença, enquanto 340 mortes estão sendo investigadas. O coeficiente de incidência da dengue no país, neste momento, é 252,3 casos para cada grupo de 100 mil habitantes. Os dados constam no painel de monitoramento de arboviroses do Ministério da Saúde. Entre os casos prováveis, 54,9% são em mulheres e 45,1% em homens. A faixa etária dos 30 aos 39 anos segue respondendo pelo maior número de casos, seguida pelo grupo de 40 a 49 anos e de 50 a 59 anos. Já no ranking dos estados, Minas Gerais lidera em número absoluto de casos prováveis (171.769). Em seguida aparecem São Paulo (83.651), Distrito Federal (64.403) e Paraná (55.532). Quando se considera o coeficiente de incidência, o Distrito Federal aparece em primeiro lugar (2.286,2 casos por 100 mil habitantes), seguido por Minas Gerais (836,3), Acre (582,2) e Paraná (485,3). Vacinação Neste momento, somente o Distrito Federal iniciou a vacinação de crianças e adolescentes com idade entre 10 e 11 anos contra a dengue. No primeiro dia da campanha, 3.633 doses foram aplicadas em todos os 15 pontos disponíveis. Goiás já recebeu as doses distribuídas pelo Ministério da Saúde e deve iniciar a imunização dessa mesma faixa etária na próxima quinta-feira (15) em 51 municípios selecionados pela pasta.   Fonte: Agência Brasil

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80 enfermeiros de unidades hospitalares são capacitados para garantir segurança do ato transfusional

Foto: Carla Cleto/Secom Alagoas Garantir a segurança do ato transfusional para os pacientes internados nas unidades hospitalares alagoanas. Com este propósito o Hemocentro de Alagoas (Hemoal) capacitou 80 profissionais de enfermagem na terça-feira (14), durante treinamento realizado na sede do órgão, no bairro Cidade Universitária, em Maceió. Organizado pela Assessoria de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas do Hemoal, a capacitação foi ministrada pela médica hematologista Verônica Guedes e pelas enfermeiras Adriane Beltrão e Maria Lúcia Brito. Durante todo o dia, as especialistas em hemoterapia discorreram sobre as etapas que integram o ato transfusional, tornando os profissionais capacitados aptos a atuarem na assistência aos pacientes, bem como, a serem agentes multiplicadores nos hospitais em que atuam. Além de apresentar a história da transfusão sanguínea e seus aspectos legais, bem como, as etapas do processo de transfusão, o treinamento focou na qualificação do ato transfusional. Para isso, segundo a médica Verônica Guedes, foram esclarecidos pontos como as informações que devem estar contidas no documento de solicitação de transfusão e como deve ser realizado o transporte das amostras de sangue. “Também apresentamos aos profissionais de enfermagem, as principais reações transfusionais que podem ocorrer no paciente e como identificá-las. Mostramos ainda como elas devem ser notificadas no processo de hemovigilância, bem como devem ser tratadas”, salientou a médica Verônica Guedes. Ela destacou, durante explanação aos profissionais de enfermagem, que o ato transfusional deve ser seguro, visando garantir que o paciente receba as transfusões sanguíneas necessárias ao seu restabelecimento. Verônica Guedes frisou, contudo, que a qualidade do processo é fundamental, pois pode impactar no resultado final, ou seja, na recuperação da pessoa que está em tratamento médico. “Não basta apenas assegurar o sangue em quantidade necessária para o paciente. Temos também que garantir que ele tenha qualidade e que o processo de transfusão atenda às especificações da Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária], sob pena de colocarmos em risco o ato transfusional e, consequentemente, a saúde do paciente que está em tratamento”, pontuou Verônica Guedes. Por: ANH/AL

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El Niño: pesquisadores preveem mais calor no Sudeste e Centro-Oeste

@Paulo Pinto/Agência Brasil Efeitos do evento climático devem persistir até abril de 2024   A onda de calor sentida nos últimos dias nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do país sofre influência do fenômeno El Niño, segundo apontam pesquisadores ouvidos pela Agência Brasil. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) estima que os efeitos do El Niño devem ser sentidos pelo menos até abril do próximo ano. “Tudo indica que teremos um verão extremamente quente. É um El Niño de intensidade muito forte que, juntamente com o aquecimento global, produz esses efeitos que nós estamos vendo”, diz o coordenador da Rede Clima da Universidade de Brasília (UnB), Saulo Rodrigues Pereira Filho. Como efeitos do fenômeno climático, ele cita ainda a seca no Amazonas, as chuvas intensas no Sul do país e o calor extremo no Sudeste e no Centro-Oeste. Os termômetros do Rio de Janeiro já haviam superado os 40°C em algumas ocasiões nesta semana. Na capital fluminense, a sensação térmica superou os 58°C nesta terça-feira (14). Já no Centro-Oeste, dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) relativos a ontem indicaram que Cuiabá foi a capital mais quente do país. Ricardo de Camargo, meteorologista do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP) também crê que essa onda de calor intensa pode se repetir. “Realmente podemos enfrentar situações parecidas como essa justamente por conta da influência do El Niño. É bem provável que a gente tenha as condições propícias para o acontecimento de novas ondas de calor. O que não dá para fazer é uma antecipação tão fidedigna e tão assertiva de quando isso pode acontecer.” O fenômeno El Niño é caracterizado pelo enfraquecimento dos ventos alísios (que sopram de Leste para Oeste) e pelo aquecimento anormal das águas superficiais da porção leste da região equatorial do Oceano Pacífico. As mudanças na interação entre a superfície oceânica e a baixa atmosfera têm consequências no tempo e no clima em diferentes partes do planeta. Isso porque a dinâmica de circulação das massas de ar adota novos padrões de transporte de umidade, afetando a temperatura e a distribuição das chuvas. Prefeitura de São Paulo distribui água no Vale do Anhangabau, onde os termômetros marcaram 39 °C nesta terça-feira (14) – Paulo Pinto/Agência Brasil O El Niño – que ocorre em intervalos de tempo que variam entre três e sete anos – persiste em média de seis a 15 meses. Segundo Saulo Rodrigues, no Brasil, o fenômeno provoca seca nas regiões Norte e Nordeste. Já o Sul registra ocorrência de chuvas torrenciais e ciclones extratropicais. No Sudeste, conforme observa Ricardo de Camargo, a transição para o regime de chuvas, como é esperada para essa época do ano, está demorando. “Estamos tendo um período extremamente longo em que não há atuação de nenhuma frente fria. Elas não estão conseguindo avançar em direção ao Sudeste e ao Centro-Oeste. Chove muito no Sul e as frentes frias vão embora direto para o oceano”. O meteorologista explica como a movimentação no Oceano Pacífico está ligada com essa situação. “A atmosfera sente a mudança do posicionamento das águas quentes que saem lá de perto da Ásia, da Austrália e da Oceania e vêm ocupar porções mais centrais ou até mais próximas da América do Sul. E aí existe um impacto. Uma das assinaturas é justamente essa dificuldade dos sistemas frontais conseguirem avançar mais em direção ao Sudeste e ao Centro-Oeste”. Aquecimento global Pelo menos 27 pessoas morreram em decorrência do furacão Otis, no México. Para especialistas em clima, eventos extremos como esse vão ocorrer com maior frequência e intensidade por causa do aquecimento global – REUTERS/Henry Romero Mas só o El Niño não é suficiente para explicar a situação, segundo avalia o pesquisador da UnB. Ele considera que o fenômeno tem uma influência importante, mas a análise desses eventos extremos deve considerar em primeiro lugar o aquecimento global. O pesquisador alerta para as projeções indicando que as ocorrências de fortes chuvas, calor extremo e secas severas deverão ficar mais frequentes e mais intensas. São episódios que podem desencadear desastres socioambientais e problemas de saúde. “Já existe um conhecimento científico sólido sobre a capacidade que as mudanças climáticas possuem de produzir grandes perdas e danos para a sociedade e para as atividades produtivas. As populações vulneráveis se tornam muito potencialmente vítimas desse cenário”, observa Saulo Rodrigues. De acordo com Ricardo de Camargo, não dá mais para colocar em dúvida que as mudanças climáticas estão em curso. “É inegável que as temperaturas estão cada vez mais altas em todos os lugares do planeta de uma maneira quase geral. Não há mais espaço para negacionismo com relação a isso. As projeções indicam que os sistemas transientes e os eventos extremos devem ficar mais frequentes, mais comuns e irão atingir com maior severidade. Se fizermos uma análise do que tem sido divulgado na mídia, veremos que realmente o mundo todo está enfrentando essas situações de episódios severos”. O meteorologista, no entanto, faz uma ponderação. “É difícil atribuir um percentual de responsabilidade da mudança climática nessa onda de calor que estamos vivenciando agora”, avalia. Segundo ele, considerando a mudança no regime de precipitação que tem se observado, é possível fazer a associação, mas com algum cuidado. Políticas Públicas Saulo Rodrigues observa que os principais responsáveis pelo aquecimento global são os países desenvolvidos, que emitem maior quantidade de gases de efeito estufa. Ao mesmo tempo, ele avalia que o Brasil tem um desafio. “Nós temos uma matriz energética com grande percentual de energia renovável. A matriz elétrica brasileira é 90% composta de energia renovável. Poucos países do mundo tem essa capacidade de produzir energia com baixas emissões de carbono. O Brasil tem esse ativo. O Brasil também tem a Floresta Amazônica e o Cerrado que retiram carbono da atmosfera. Isso é muito importante para o equilíbrio climático. Então o Brasil é parte da solução. O principal problema brasileiro é a questão do desmatamento”. O pesquisador da UnB cita alguns resultados positivos neste ano, com o registro da queda das taxas de desmatamento, mas faz um alerta. Segundo ele, o

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Projeto ensina alunos do DF a identificar fake news sobre vacinas

© Cleiton Freitas Participaram do estudo 30 estudantes na faixa etária de 13 a 15 anos   Nesta semana, alunos do Centro de Ensino Fundamental Queima Lençol, em uma área rural de Sobradinho, no Distrito Federal, aprenderam como identificar se uma informação que recebem pelas redes sociais, chats de conversa é verdadeira ou não. O grupo participou da segunda edição do projeto Conhecimento é vacina para desinformação. Nele, cerca de 30 estudantes, na faixa etária de 13 a 15 anos, conheceram quais caminhos para identificar a veracidade de uma mensagem. Desde 2017, a jornalista Gracielly Bittencourt, idealizadora do projeto, passou a pesquisar sobre desinformação, dedicando-se aos impactos da divulgação de notícias falsas, as fake news, na vacinação de HPV, que previne o Papilomavírus Humano, responsável pela infecção sexualmente transmissível mais frequente no mundo e associado ao desenvolvimento do câncer de colo de útero e outros tumores. Gracielly Bittencourt, idealizadora do projeto desde 2017- Foto Cleiton Freitas Em suas pesquisas, ela identificou que a baixa procura pela vacina, indicada para meninas e meninos a partir dos 9 anos de idade, está relacionada à divulgação de informações infundadas sobre a eficácia e segurança do imunizante. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2019, 87,08% das meninas entre 9 e 14 anos de idade receberam a primeira dose da vacina. Em 2022, o percentual caiu para 75,81%. Entre os meninos, a cobertura vacinal passou de 61,55%, em 2019, para 52,16% em 2022. O recomendado é imunizar 90% do público-alvo. Veja aqui especial 50 anos de vacinas para todos. A partir daí, desenvolveu o projeto como forma de mostrar aos jovens a importância de consumir informações corretas. “Não adianta mais apenas checarmos as notícias. A gente precisa formar o público para saber o que é verdade ou falso”, afirma a jornalista da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A iniciativa foi vencedora do programa FactCheckLab em 2020. Em 2022, a jornalista participou do International Visitor Leadership Program (IVLP), curso de jovens líderes promovido pelo governo norte-americano e decidiu tirar o projeto do papel. O projeto tem apoio financeiro do Escritório de Assuntos Educacionais e Culturais do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Aprender a checar uma informação Nas oficinas, realizadas nos dias 30 e 31 de outubro, os estudantes da escola Queima Lençol conheceram o trabalho de um profissional especializado em checar notícias e puderam aprender passos básicos que podem ser adotados para identificar uma fake news, como verificar a fonte da informação, a data de divulgação da notícia ou se a imagem é realmente relacionada ao fato descrito por meio de buscas na internet. Segundo a jornalista, pela proximidade com as redes sociais e habilidade com tecnologia, os jovens rapidamente conseguem encontrar uma fake news, no entanto, precisam entender o que é confiável ou não. “Com ações simples, você consegue perceber [a desinformação]. Não é preciso ser um grande investigador”, explica. “Eles são capazes, só falta o despertar”, acrescenta. Nas conversas, os jovens trazem dúvidas básicas sobre a vacina de HPV, entre elas, se podem tomar doses atrasadas. É o caso de João Felipe Oliveira, do 8º ano, que contou não saber do imunizante antes de participar do projeto. “Achei bem legal conscientizar os jovens sobre a importância das vacinas. Não ficar caindo em qualquer coisa que vê no WhatsApp, porque normalmente é mentira”, disse. Para Gracielly Bittencourt, o desconhecimento sobre a vacina mostra que a informação não chegou a esse público por uma falta de ação do Estado e das próprias famílias. A professora de matemática do centro de ensino, Raiane Ribeiro, contou que a escola tentou promover a ida de uma equipe de saúde para uma ação de vacinação dentro da escola, porém vários pais desautorizaram a medida. Para a docente, as negativas têm relação com informações falsas. Raiane Ribeiro acredita que projeto poderá ajudar a difundir a cultura da checagem de informação entre os estudantes e nos seus lares. “É importante que eles [alunos] entendam como procurar sites confiáveis. O que eles recebem via WhatsApp, Instagram, eles passam para frente sem verificar a veracidade da informação.” As oficinas terão uma terceira edição. A primeira ocorreu em 2022 em uma escola de Ceilândia, também no Distrito Federal. Fonte: Agência Brasil  

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