Cidadania Alagoas

Prefeitura de Maceió adapta cardápio para alunos com restrições alimentares

Merenda escolar alia qualidade nutricional e incentivo ao produtor local. Foto: Jonathan Lins

 

O cardápio servido diariamente a estudantes das creches e escolas da rede municipal de Maceió passa por discussão pública antes de chegar aos pratos. As audiências públicas promovidas pela Secretaria Municipal de Educação (Semed) funcionam como espaço de diálogo entre nutricionistas, agricultores, cooperativas e representantes da comunidade escolar, garantindo controle nutricional, transparência na formação de preços e prioridade à agricultura familiar alagoana.

Com o retorno das aulas marcado para o dia 9 de fevereiro, as unidades de ensino retomam a oferta de refeições preparadas com alimentos frescos e sem uso de agrotóxicos, reforçando o compromisso com a alimentação saudável. O planejamento para 2026 começou a ser estruturado durante a segunda audiência pública de validação de preços da merenda escolar, que reuniu produtores e equipes técnicas para discutir critérios do cardápio, logística de entrega e fortalecimento do fornecimento local.

Fortalecimento da agricultura familiar

Atualmente, cerca de 40% dos gêneros alimentícios adquiridos pelo município vêm de cooperativas e agricultores familiares, percentual que deve crescer com as diretrizes atualizadas do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). A política de compras públicas, realizada por meio de edital, assegura mercado para pequenos produtores e contribui para a geração de renda no campo.

Durante as discussões, um dos pontos centrais foi a definição e validação dos preços, considerando custos de produção e transporte. A responsável pela aquisição dos insumos, Maria Rita Caetano Pontes, destacou que o processo ocorre em etapas, começando com a coleta de dados e finalizando com a validação conjunta com os agricultores, garantindo equilíbrio entre legalidade e viabilidade econômica.

Representantes das cooperativas ressaltaram a importância da parceria com o município. Segundo o presidente da COOBAPI, Roberto Moura, a regularidade nos pagamentos proporciona segurança para o planejamento da produção. No encontro, também foi apresentado o Projeto Fazendinha, em implantação no Benedito Bentes, que pretende ampliar a produção agrícola local para atender à demanda da rede municipal.

Rigor nutricional e acompanhamento técnico

A elaboração dos cardápios segue parâmetros técnicos estabelecidos pelo PNAE e é revisada mensalmente por nutricionistas da Semed. De acordo com a coordenação técnica de Nutrição e Segurança Alimentar, além de atender às exigências nutricionais, as refeições respeitam a cultura alimentar local.

O controle de qualidade começa antes da chegada dos alimentos às escolas. Equipes técnicas visitam cooperativas e fornecedores para verificar condições de produção e armazenamento. Após a distribuição, nutricionistas acompanham as práticas higiênico-sanitárias nas cozinhas escolares e orientam as equipes responsáveis pelo preparo.

Inclusão e aceitação

A rede municipal também assegura atendimento a estudantes com restrições alimentares, como intolerância à lactose e outras condições específicas. As informações são coletadas no ato da matrícula ou por meio de comunicação com as famílias, permitindo ajustes individualizados no cardápio.

A aceitação das preparações é monitorada por meio de testes de aceitabilidade. Para integrar o cardápio oficial, as receitas precisam alcançar pelo menos 85% de aprovação entre os alunos. Caso haja rejeição posterior, as preparações podem ser reformuladas.

Nas escolas, a merenda é vista como parte do processo educativo. Além de contribuir para a saúde e o desenvolvimento, a alimentação adequada favorece o rendimento escolar. Profissionais das unidades destacam que as refeições são preparadas com cuidado e atenção, garantindo que os estudantes tenham acesso diário a comida de qualidade.

Para muitos alunos, a merenda é um momento aguardado da rotina escolar. Pratos como arroz com carne, arroz com frango, canja e frutas frescas figuram entre os preferidos. O resultado, segundo gestores e nutricionistas, é uma combinação de política pública eficiente, incentivo à economia local e promoção de hábitos alimentares saudáveis desde a infância.

Redação ANH/AL

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